O governo federal anunciou nesta quinta-feira (15) que fechou um acordo com Vivo e Ericsson para levar banda larga móvel à cidade de Pacaraima, em Roraima, que é a porta de entrada no Brasil de imigrantes venezuelanos.

A cidade na fronteira com o país vizinho é o primeiro contato com o Brasil dos estrangeiros que percorrem a pé os quase 220 km rumo à capital Boa Vista. Em janeiro, o município de pouco mais de 10 mil habitantes recebeu 8 mil venezuelanos, que fugiam da crise econômica em seu país de origem.

A onda de imigrantes tem impactado os serviços públicos e a infraestrutura já precária do local. A cidade conta com cobertura mais ampla 2G de celular, além do sinal de 3G de apenas uma operadora. Já a conexão de internet é feita via satélite.

A chegada de conexão 4G permitiria a oferta de serviços públicos, como a atuação da Polícia Federal no monitoramento da fronteira. A iniciativa foi anunciada por Marcos Jorge de Lima, titular do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), durante o Fórum Econômico Mundial para América Latina, realizado em São Paulo.

A parceria prevê que a Ericsson fornecerá os equipamentos de rede e a Vivo será a responsável pelo sinal de celular.

“Ali a gente tem um problema grave porque não tem conexão e a internet é ruim”, diz Eduardo Ricotta, presidente da Ericsson Brasil, ao G1.

Segundo o Sinditelebrasil (sindicato das operadoras de telecomunicações), o 4G está presente em 64,6% cidades do Brasil e o 3G, em 91,4% delas.

Boa Vista

O acordo também prevê reforçar a cobertura de banda larga móvel em localidades estratégicas da capital Boa Vista. É na cidade onde os imigrantes têm de pedir asilo, para permanecer de forma legal no Brasil. Só que os problemas de conectividade limitam a capacidade da PF de remeter os dados para Brasília. O problema aumenta conforme a presença dos venezuelanos já chega a 10% da população do município.

O projeto também conectará o novo Centro de Referência para Refugiados e Migrantes, que está sendo montada na Universidade Federal de Roraima (UFRR) pela PF e pelo Alto Comissariado para Refugiados das Nações Unidas (UNHCR).

Esse novo escritório será usado tanto para ampliar o registro de pedidos de asilo quanto para aumentar a oferta de serviços públicos a venezuelanos e à população local. Dada a quantidade de pessoas e a falta de capacidade de atendimento, o posto atual da PF na cidade tem sido um ponto de concentração de pessoas, que passam dias acampadas enquanto esperam na fila.

A UFRR também vai abrigar um laboratório de capacitação profissional para venezuelanos. Os cursos terão módulos de dois meses e tratará de temas como ferramentas para ampliar a inclusão digital.

O caminho do 4G

A previsão é que a conexão 4G chegue a Pacaraima, assim como os outros objetivos do acordo, saiam do papel ainda no primeiro semestre de 2018, diz o presidente da Ericsson no Brasil, Eduardo Ricotta.

Segundo a empresa, uma torre será instalada na cidade para receber o sinal de Boa Vista, que passará a contar com conexão móvel reforçada. Em vez de ligar os dois municípios com fibra, as empresas decidiram instalar estações de rádio a cada 30 km ou 60 km.

“É um tipo de solução para regiões difíceis”, diz Ricotta. “Um dos grandes problemas da região é que só chega sinal de satélite.”

Segundo ele, os equipamentos a serem instalados têm capacidade de fornecer velocidades de até 20 Megabits por segundo, dependendo do uso.

“Com este projeto em Roraima, acreditamos que além de levar a oportunidade de um novo recomeço para os refugiados, também estamos levando uma conexão de qualidade para população local”, afirmou o presidente-executivo da Vivo, Eduardo Navarro, por meio de nota.

Link: https://g1.globo.com/economia/tecnologia/noticia/governo-anuncia-acordo-para-levar-4g-a-cidade-porta-de-entrada-de-imigrantes-venezuelanos.ghtml

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