Vaquinhas na internet para financiar projetos já não são novidade. Só que startups estão usando esse artifício para levantar capital, em troca de transformar investidores em potenciais acionistas. Esse artifício é o chamado “equity crowdfunding”, que reuniu um grupo de especialistas em um debate na Campus Party nesta quarta-feira (31).

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o órgão regulador do mercado de capitais, criou regras para a realização de crowdfunding ou “vaquinha virtual” no Brasil em julho de 2017. A CVM prevê ainda a realização do crowdfunding com foco em investimento em empresas.

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G1 na Campus Party em 2018 (Foto: Ilustração: Alexandre Mauro/G1) G1 na Campus Party em 2018 (Foto: Ilustração: Alexandre Mauro/G1)

G1 na Campus Party em 2018 (Foto: Ilustração: Alexandre Mauro/G1)

A diferença do equity crowdfunding com uma simples vaquinha virtual é que ele é focado no investimento em uma empresa, em troca de uma participação acionária. Na vaquinha, é possível fazer uma doação para uma ONG ou para um amigo que está juntando dinheiro para uma viagem, sem necessariamente ganhar nada em troca.

Alguns veem nessa modalidade de levantar recursos uma forma de a empresa alcançar formas mais sofisticadas de se capitalizar. “A gente acredita que o crowdfunding é a porta de entrada da bolsa”, diz Diego Perez, da Associação Brasileira de Equity Crowdfunding.

O passo a passo do chamado “Equity Crowdfunding” é similar ao processo de uma “vaquinha virtual”:

  1. Um empresário apresenta sua empresa e estabelece uma meta de arrecadação
  2. Interessados doam dinheiro para a plataforma em que o projeto é exibido
  3. Essa plataforma destina os recursos ao final da campanha

Essa modalidade já movimenta bilhões de dólares em outros países, diz Frederico Rizzo, presidente-executivo da Broota, site brasileiro de “equity crowdfunding”.

“No ano passado, a China liderou os investimentos por meio de crowdfunding, com US$ 2,1 bilhões.”

No Brasil, diz Rizzo, as regras da Comissão de Valores Mobiliarios (CVM) são mais atraentes que a de outros mercados. Nos EUA, as empresas podem captar só US$ 1 milhão; aqui, o valor pode chegar a R$ 5 milhões por ano.

Campus Party 2018: evento promove uma série de palestras sobre tecnologia (Foto: Fabio Tito/G1) Campus Party 2018: evento promove uma série de palestras sobre tecnologia (Foto: Fabio Tito/G1)

Campus Party 2018: evento promove uma série de palestras sobre tecnologia (Foto: Fabio Tito/G1)

Passando o chapéu

Tentar levantar recursos com a “vaquinha” pela internet pode ser uma alternativa para empresas iniciantes, que não receberiam respaldo do sistema financeiro tradicional, diz Alexandre Camin, gerente financeiro do Sebrae. “Banco não dá dinheiro para um cara de bermuda e uma ideia na cabeça.”

Só que, para alguns especialistas, essas startups têm de avaliar qual o melhor momento para recorrer a esse método.

“A hora é quando você já tem um produto no mercado e está começando a agregar valor para os clientes”, opina Marcos Ramos, da EasyCrédito.

Pérez, da Associação Brasileira de Equity Crowdfunding, também acha que sem produto para mostrar fica difícil conseguir empréstimo. “Alguns investidores ficam receosos de apostar em negócios que ainda não tenham produto.”

Já Rizzo, da Broota, pensa diferente. Ele acredita que até empresas em fase pré-operacional podem tentar angariar recursos dessa forma, inclusive para conseguir tirar seus produtos do papel.

“Varias empresas captam dinheiro no PowerPoint, eu captei para a minha também”, apontou durante o debate. Para ele, o momento de captar é “sempre”, inclusive no começo do negócio.

Investidores que viram acionistas

As pessoas que doam dinheiro para uma “vaquinha virtual” fazem isso porque querem ver aquele produto ou projeto ganhar vida. Com a “vaquinha de investimento”, o interesse pode até ser esse, mas também pode ser a obtenção de algum retorno com o negócio apoiado.

O caminho para transformar doadores em acionistas ou cotistas da empresa é diverso. Segundo Marcos Ramos, da EasyCredito, um deles é dar aos apoiadores títulos de dívida conversível. “No futuro, eles têm o direito de transformar aquele tipo de dívida em uma ação da empresa.”

No ato do recebimento da doação, a empresa apoiada registra o dinheiro como passivo. Como o doador só é recompensado se a empresa sobreviver, é bom apoiar ideias de negócio saudáveis, dizem os empresários.

Link: https://g1.globo.com/economia/tecnologia/noticia/vaquinha-de-investimento-deve-crescer-no-brasil-e-promete-transformar-investidor-em-acionista-de-startup-dizem-especialistas.ghtml

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